Entenda

11 de julho de 2007 - 11:40

O esquema da máfia de fraudes em licitações da Petrobrás

SÃO PAULO - Após dois anos de investigação, a Polícia Federal desbaratou um esquema de fraudes em licitações para serviços de reparos de plataformas petrolíferas da Petrobrás. Ao todo, 26 pessoas foram denunciadas, incluindo gerentes da estatal, empresários, um agente da PF um ex-deputado.

Ao investigar o esquema montado para fraudar licitações da Petrobrás, os agentes federais descobriram também fraudes financeiras em prestações de contas de organizações não-governamentais estaduais. Entenda o esquema e a operação:

O esquema

A suspeita:
O grupo era especializado em fraudar licitações para reforma e construção de plataformas marítimas de exploração de petróleo da Petrobrás.

Os crimes:
Formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, falsidade documental, peculato, lavagem de bens e capitais, entre outros.

Como funcionava:

1 - Segundo as investigações da PF e do Ministério Público Federal, existiam dois esquemas de fraude atuando na Petrobrás. Uma das formas de atuação do grupo era direcionar licitações enviando cartas-convite para endereços errados.

2 - Funcionários da estatal passavam informações privilegiadas, mediante propina paga pelas empresas envolvidas.

3 - Os suspeitos beneficiados ocultavam em empresas fantasmas parte do dinheiro proveniente dos contratos das licitações viciadas.

4 - Foi criado também, segundo as investigações da operação, esquema de circulação clandestina desses recursos, resultando em sonegação de tributos.

5 - A principal acusada de envolvimento é a Angraporto Offshore Logística, mas também há suspeita contra as empresas Iesa e Mauá Jurong.

Onde aconteceu

Os nomes

» Os presos:

Fernando Cunha Stérea - Sócio-diretor da Angraporto, é apontado como um dos líderes da quadrilha, com indícios de participação em fraude em licitações corrupção e sonegação fiscal.

Mauro Luiz Soares Zamprogno - Sócio-diretor da Angraporto, também seria um dos líderes da quadrilha.

Wladimir Pereira Gomes - Sócio-diretor da Angraporto, seria responsável pelo pagamento de propinas a servidores públicos.

Simon Matthew Clayton - Diretor da Angraporto e de outras empresas-fantasmas.

Ruy Castanheira de Souza - Advogado do escritório de assessoria contábil e jurídica preventiva Almir Vieira e idealizador do esquema, segundo a PF.

Carlos Heleno Netto Barbosa - Gerente geral de serviços de sondagem semi-subversível da Petrobrás. Entre os funcionários da estatal, é quem possui o cargo mais alto. É responsável por dar início ao processo licitatório.

Carlos Alberto Pereira Feitosa - Coordenador da comissão de licitação da Petrobrás, tinha acesso a informações privilegiadas que repassava às empresas em troca de propinas, diz a PF.

Rômulo Miguel de Morais - Gerente de plataforma de petróleo da Petrobrás, também repassaria informações privilegiadas à Angraporto.

Ana Celeste Alvez Bessa - Técnica de Feema afastada do setor de licenciamento pela Operação Poeira no Asfalto. Ainda assim, continuava a atuar na concessão de licenças.

Felipe Pereira das Neves Castanheira Souza - Atuaria com o pai, Ruy Castanheira, na movimentação ilícita de recursos, justificando sua utilização à Receita.

Laudezir Carvalho de Azevedo - Empresário do estaleiro Iesa, um dos que teriam sido beneficiados pela fraude.

Hilário dos Santos Mattos - Empregado da Angraporto que teria sido usado como laranja. Responsável por sacar as propinas e realizar os pagamentos.

Ricardo Secco - Aparece na segunda vertente da investigação, administra ONGs acusadas de receber recursos repassados ilegalmente pelo Rio. Atuaria junto com o empresário Ruy Castanheira. É pai da atriz Deborah Secco.

» Com pedido de prisão decretada:

Sergio Fernandes Granja - Agente da PF no Aeroporto Internacional Tom Jobim.

José Augusto Barbosa Reis - Empresário e lobista que intermediaria negociações.

Claudio Valente Scultori da Silva - Técnico da área de meio-ambiente que preparava os projetos a serem licenciados, diz a PF.

Wilson Ribeiro Diniz - Sócio-fundador das empresas e contas que serviriam a propósitos ilícitos da Angraporto.

Ricardo Moritz - Laranja que atuaria através de uma dessas empresas.

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