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IMPACTOS NO TREHO TERRESTRE

GASTAU

CARAGUATATUBA / TAUBATÉ

De acordo com a metodologia aplicada, foram identificados 13 impactos, que estão analisados

na subseção a seguir, e que foram classificados de forma mais sistemática na citada Matriz-

Síntese, ao final desta seção.

6.4 ANÁLISE

6.4.1 Impactos sobre o Meio Físico 

(1) Alteração na rede de drenagem

A avaliação dos impactos decorrentes da implantação e operação do Gasoduto

Caraguatatuba–Taubaté sobre a rede de drenagem a ser atravessada baseou-se nas

considerações apresentadas pelo empreendedor, quanto ao método construtivo a ser adotado

para a abertura/melhoria dos acessos, nivelamento da faixa de servidão e para obras de

travessias dos cursos d’água. Considerou também o conhecimento e a experiência acumulada

a respeito das dificuldades ocorridas quando da implantação de projetos similares.

Com a execução da terraplenagem ou movimentações de terra, necessárias para a

melhoria/abertura dos acessos e instalação da faixa de servidão, deverão ser alteradas as

drenagens superficiais dos terrenos atravessados. Se não forem adotadas as medidas

mitigadoras necessárias, como a instalação de dispositivos de drenagem, poderão ocorrer

processos erosivos, com a desagregação e remoção do solo, resultando no carreamento de

sedimentos para os cursos d’água, provocando assoreamento e afetando a drenagem e a

qualidade da água, embora de forma temporária e de curto prazo. 

Este impacto, portanto, é considerado negativo, direto, de abrangência local, de curto prazo,

temporário, reversível, de pequena magnitude e de média importância; enfim, pouco

significativo. 

Medidas Recomendadas

continuação

(2) Início e/ou Aceleração de Processos Erosivos, Transporte Sólido e Assoreamento

Com base no Diagnóstico do Meio Físico, incluindo os Mapas de Solos, Suscetibilidade à

Erosão e Capacidade de Uso das Terras (Mapas 6, 7 e 8, respectivamente, do Volume 2/3,

Anexo A) e da Avaliação da Erodibilidade das Terras (item 5.1.6), efetuou-se uma análise

minuciosa das áreas a serem atravessadas pelo Gasoduto Caraguatatuba–Taubaté,

identificando-se as que apresentam elevado potencial erosivo. Tal análise foi apresentada em

detalhe no item 5.1.9 – Interferências do Meio Físico.

Medidas Recomendadas

Este impacto, portanto, é considerado negativo, direto, de abrangência local, de curto prazo,

cíclico, reversível, de média magnitude, média importância e significativo. 

Pg.696 

3) Interferência com Áreas de Autorizações e Concessões Minerárias

Na área atravessada pela AID, foram identificadas 16 áreas de Titularidade Minerária

relacionadas com a faixa de servidão do Gasoduto Caraguatatuba–Taubaté.

Dessas áreas, 4 encontram-se em fase de Requerimento de Pesquisa, 10 em Autorização de

Pesquisa, 1 em Concessão de Lavra e 1 em disponibilidade. Prevê-se que a implantação do

Gasoduto poderá provocar interferências com jazidas minerais ou minas correspondentes a

esses processos. Deve-se, entretanto, conhecer em detalhe essas áreas, assim como a

localização da ocorrência ou jazida da substância mineral de interesse, visto que a

interferência constatada por este estudo é do polígono da área requerida com o traçado do

futuro Gasoduto.

Este impacto classifica-se como negativo, direto, local, de médio prazo, temporário,

reversível, de pequena magnitude e de importância pequena, sendo, portanto, pouco

significativo. (pg.699) 

Medidas Recomendadas

6.4.2 Impactos sobre o Meio Biótico

À luz das análises resultantes da avaliação integrada, os impactos sobre o meio biótico

limitaram-se a diversas interferências sobre a fauna e a flora, identificando dois impactos:

“alteração nos remanescentes florestais ” e “pressão sobre a biota”. 

(4) Alteração nos remanescentes florestais

Este impacto traduz-se nas mudanças causadas pela implantação do Gasoduto Caraguatatuba–

Taubaté nos parâmetros ecológicos das comunidades animais e vegetais, em decorrência, da

supressão de vegetação necessária para abertura da faixa de servidão e de acessos. Como

exemplos de variações nos parâmetros ecológicos, podem-se citar as alterações nas

composições de espécies, nas densidades de indivíduos da flora e da fauna e, a perda de

estratificação da floresta, a taxa de descontinuidade dos dosséis, o índice de desaparecimento

de formas de vida e grupos funcionais, etc.

Nos remanescentes florestais, quaisquer alterações ecológicas na vegetação, como a perda de

estratificação, fragmentação — que pode levar ao isolamento de fragmentos florestais — ou a

descaracterização dos ambientes, são também sentidas pelas comunidades faunísticas,

promovendo uma significativa diminuição da biodiversidade.

Durante a abertura de faixa e acessos, serão cortados elementos arbóreos, arbustivos e

herbáceos e, no caso da Floresta Ombrófila Densa, tanto de Terras Baixas quanto Montana.

Essa atividade poderá impactar esses ambientes, com a fragmentação de áreas de Mata

Atlântica, ao longo das travessias de remanescentes florestais.

Essa interferência nos remanescentes florestais poderá promover a entrada de espécies

invasoras, alterando a composição original do fragmento, bem como servir de acesso de

pessoas para a prática do extrativismo vegetal.

Cabe destacar que, ao longo de toda a faixa de servidão, haverá manutenção da pista para que

não haja regeneração natural da vegetação arbustivo/arbórea, o que poderia comprometer a

segurança do empreendimento e, conseqüentemente, da população próxima ao duto — já que

as raízes profundas dos espécimes poderiam romper a tubulação.

A principal conseqüência dessas alterações, do ponto de vista da fauna, é o afugentamento de

diversas espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis. Na área existem registros de uma

significativa quantidade de espécies endêmicas e ameaçadas. Várias delas foram assinaladas

na Área de Influência Direta do empreendimento, e são caracterizadas como sendo, em sua

maioria, dependentes de hábitats, geograficamente distribuídas em ambientes restritos e com

exigências ecológicas muito restritivas.

As áreas de maior concentração deste impacto foram identificadas nos conjuntos de

remanescentes florestais (Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas), nas proximidades do

emboque do túnel, entre o Km 2 e o Km 3 no início do Gasoduto; nos remanescentes

florestais contínuos ao Parque Estadual da Serra do Mar, em bom estado de conservação

(Floresta Ombrófila Densa Montana), localizados entre o Km 9 e o Km 12 do Gasoduto; no

conjunto de fragmentos de mata, próximo ao Km 20 e o Km 23 (Floresta Ombrófila Densa

Montana) e, em menor escala, no fragmento misto com eucalipto, entre o Km 56 e o Km 61

do Gasoduto (ver Mapa 12 – Vegetação, Uso e Cobertura dos Solos, ANEXO A, Volume

2/3).

Este impacto é negativo, direto, local, de curto prazo, permanente, irreversível, de média

magnitude, grande importância e, portanto, muito significativo.

Medidas Recomendadas

(5) Pressão sobre a biota

A pressão sobre a biota estão essencialmente correlacionadas a modificações nos aspectos

demográficos, genéticos e ambientais, tais como a reprodução, que possibilita a manutenção

dos organismos no tempo; a polinização, que garante a variabilidade genética; à dispersão de

sementes, que mantém a dinâmica florestal; à competição, que é aumentada com a chegada de

espécies mais bem adaptadas aos novos ambientes; à predação, que é intensificada devido à

abertura de novos ambientes, e ao surgimento de interfaces entre eles, que culmina com a

propagação do efeito de borda.

Nesse contexto, após a supressão da vegetação, os fragmentos de floresta remanescentes

passam a diferir, em muitos aspectos, da mancha contínua original. Primeiro, ocorre uma

diminuição do tamanho das áreas naturais disponíveis, ficando ainda relativamente isolados, e

expostos a invasões de outras espécies. Diversas espécies de vertebrados assinaladas para a

Área de Influência Direta do empreendimento apresentam requisitos de área, ocorrendo

exclusivamente em porções relativamente grandes de florestas contínuas.

Além disso, a localização geográfica dos ambientes que não foram afetados obedece a um

padrão diferente do original, tanto em formato quanto em isolamento. Algumas características

importantes podem desaparecer após a supressão. Por exemplo, os fragmentos podem estar

dispostos em áreas onde existe um aclive rochoso; ou em área de solos menos produtivos; ou

ainda em áreas de sombra de uma montanha; ou, até mesmo, sem uma fonte de água

satisfatória em seu interior. 

No processo de fragmentação, e conseqüente efeito de borda, ainda há uma terceira diferença

entre os ambientes contínuos e as áreas fragmentadas. A alteração microclimática (ventos,

umidade, temperatura, luminosidade) nas bordas dos fragmentos influencia os organismos que

habitam essas áreas. Essas características são importantes determinantes das alterações sobre

os parâmetros biológicos.

Das espécies que não conseguem sobreviver em fragmentos, as que demandam maiores áreas

e que apresentam baixas densidades são as que primeiro desaparecem. As árvores são

freqüentemente os organismos que mais sentem os efeitos da fragmentação, embora

necessitem de mais tempo para demonstrá-la.

A redução da abundância e diversidade da flora está relacionada à supressão da vegetação

nativa, expressa em termos quantitativos (número de indivíduos) e qualitativos (espécies), que

poderá ocorrer ao longo de todo o traçado do Gasoduto, nos locais de interferência com

fragmentos florestais.

A atividade de supressão implicará a eliminação de indivíduos de várias espécies vegetais,

algumas das quais, atualmente, ameaçadas de extinção, endêmicas ou de interesse econômico,

conforme anteriormente detalhado na caracterização florística, apresentada na seção 5 deste

EIA.

Por outro lado, nem todos os organismos sofrem os efeitos negativos da fragmentação. Essas

espécies representam problemas para a manutenção dos processos biológicos na Área de

Influência do empreendimento. Por exemplo, sabe-se que as comunidades de pequenos

mamíferos e de aves são mais ricas nas bordas do que no interior dos fragmentos. Isso é um

reflexo da mudança dos padrões de ocorrência, reprodução e preferência de hábitats,

resultando no desaparecimento da complexidade original.

Dada a diferença na composição, uma parte das aves e mamíferos que se beneficia com a

fragmentação e a criação de bordas não realiza os serviços ambientais das comunidades

originais. Isso pode, também, influir negativamente sobre elas, por competição, predação ou

transmissão de doenças. Dessa forma, os processos biológicos terão dinâmicas diferenciadas,

resultando num contínuo empobrecimento da diversidade.

Há ainda os impactos temporários relacionados às obras, como aumento nos níveis de ruídos

causados pela movimentação de maquinário pesado e de pessoas. Esses ruídos afugentam

algumas espécies de animais e interferem no seu comportamento, podendo alterar seus

padrões normais de reprodução, momentaneamente.

Além disso, poderão ocorrer, em menor escala, atropelamentos, em conseqüência do trânsito

de veículos na faixa de servidão e nos novos acessos, aumento da pressão de caça — em

função da utilização da faixa e de acessos para a entrada de caçadores — e queda de

espécimes faunísticos na vala. Destaca-se que esta última, em função dos procedimentos

construtivos e de segurança executados pela PETROBRAS, apresenta-se pouco

representativa.

As áreas de maior concentração de pressão sobre a biota são as mesmas dos conjuntos de

remanescentes florestais (Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas) — as proximidades do

emboque do túnel, entre o Km 2 e o Km 3 bem no início do Gasoduto; os remanescentes

florestais contínuos ao Parque Estadual da Serra do Mar, em bom estado de conservação

(Floresta Ombrófila Densa Montana), localizados entre o Km 9 e o Km 12 do Gasoduto; o

conjunto de fragmentos de mata próximos ao Km 20 e ao Km 23 (Floresta Ombrófila Densa

Montana) e, em menor escala, no fragmento misto com eucalipto, entre o Km 56 e o Km 61

do Gasoduto (ver Mapa 12 – Vegetação, Uso e Cobertura dos Solos).

No caso da fauna aquática, a perturbação será sentida através da remoção da cobertura vegetal

e da terraplenagem na pista de serviço, com o movimento de terra, que poderá contribuir para

o assoreamento de alguns riachos que serão atravessados pelo Gasoduto, e aumento da

turbidez da água a jusante do ponto de travessia, durante o período das obras. Dependendo

dos métodos de travessia utilizados, as margens dos rios e riachos na faixa de servidão,

poderão ser alterados temporariamente, causando efeitos diversos sobre a dinâmica e a

conseqüente influência sobre os hábitats disponíveis.

Eventuais impactos ambientais resultantes da implantação do GASTAU sobre a ictiofauna

estariam referidos, primariamente, à perturbação temporária dos principais ambientes

aquáticos localizados ao longo do traçado planejado do empreendimento, os quais,

necessariamente, deverão ser de alguma maneira transpostos para que ocorra a instalação do

duto.

Os principais rios que sofrerão esse impacto temporário são o Rio Pardo (Kms 9 e 10), o

Córrego do Tapiá (Km 11), Ribeirão dos Prazeres (Km 10,5), Rio São Lourenço (Km 15,5),

Córrego do Louro (Kms 16,5 e 22), Ribeirão do Cedro (Km 17,5), Ribeirão Claro (Km 24),

Ribeirão do Lajedo (Km 26,3), Córrego do Varjão (Km 28), Córrego Espírita (Km 30,1),

Córrego São José /9km (Km 33), Córrego Morro Azul (Km 37), Rio do Sato (Km 41),

Córrego Santo Antônio (44), Rio Paraiba do Sul (Km 46 – há travessia especial), Rio Capivari

(Km 51,5 – travessia especial), Córrego São João (Km 53,5), Rio Varador (Km 56), Rio

Alambari (Kms 59,9, 60,2 e 65,2), Ribeirão do Cajuru (Km 67), Córrego do Bairrinho (Km

69,8), Rio Pararamgaba (Km 70), Córrego alvorada (Km 72,5), Ribeirão da N. Sra. do Bom

Retiro e Dois Córregos (Km 73,5), Ribeirão Olho D’Água (Km 77), Ribeirão de Manoel Lito

(Km 78,5), Ribeirão Borda da Mata (Km 81), Ribeirão da Mata (Km 73), Córrego Guaçaíra

(Km 84,9), Córrego da Cachoeira (Km 81), Córrego da Virgem (Km 86,5), Córrego Boçoroca

(Km 90,3) e Ribeirão Piracanguá (Km 93,5).

Este impacto é negativo, direto, local, de médio prazo, permanente, irreversível, de média

magnitude, grande importância e, portanto, muito significativo. 

Medidas Recomendadas

6.4.3 Impactos sobre o Meio Antrópico

(6) Dinamização da Economia Local

Essa dinamização decorre de um aumento da arrecadação municipal, em função da demanda

por bens e serviços, por exemplo, materiais diversos, combustíveis, reparação de alguns

equipamentos, consumo de água e energia elétrica, gerando, também, um aumento da

arrecadação de impostos e taxas.

No caso específico dos municípios que receberão o canteiro principal e escritórios (detalhado

no Impacto 8 – Interferência no Cotidiano da População Local), a implantação do

empreendimento contribuirá com a melhoria do quadro das finanças públicas municipais, com

o aumento da arrecadação do ISS e do aproveitamento de mão-de-obra local, que poderá trabalhar

tanto diretamente, nos próprios canteiros, como indiretamente, mediante a prestação de serviços

variados e pequenos comércios (fornecimento de refeições, bebidas, etc.). Com contingentes

maiores de trabalhadores formais, locais e regionais, haverá uma circulação maior de moeda nos

municípios, contribuindo diretamente para o aumento das vendas no comércio em geral.

Este impacto poderá também ser sentido nos povoados localizados nas proximidades dos

futuros canteiros de obra e alojamentos, assim como naqueles que estiverem mais próximos

do local de instalação do Gasoduto, e que dispõem de infra-estrutura composta basicamente

de pequenos comércios. Dentre as localidades que poderão sentir os efeitos dessa

dinamização, estão: bairro Espírito Santo (Km 28,84), no município de Paraibuna; bairros

Campos de São José, Nova Esperança, Boa Esperança, Bom Retiro, Santa Lúcia, Portal do

Céu e Capão Grosso, em São José dos Campos (Km 63,92 a Km 71,67); bairro Caçapava

Velha (Km 87,24), em Caçapava; e bairro Barreiro (Km 92,38), em Taubaté.

De maneira geral, as demandas provenientes das obras, no entanto, serão temporárias,

devendo perdurar apenas até a conclusão da implantação do Gasoduto. Como os canteiros

(principais e secundários) e os alojamentos deverão ser instalados, particularmente, nas

cidades com maior oferta de serviços e boa infra-estrutura, 

Este impacto pode ser classificado como positivo, direto, localizado, de curto prazo, temporário, irreversível, de média magnitude e pequena importância, sendo, conseqüentemente, pouco significativo. 

Medidas Recomendadas

(7) Aumento da Oferta de Postos de Trabalho 

Para a fase de implantação do empreendimento, prevê-se a geração direta de cerca de 2000

postos de trabalho no pico das obras, que devem durar 15 meses. Desse total, estima-se que

50% da força de trabalho possam ser recrutados no local, distribuídos entre os 6 municípios

que compõem a AII, especialmente nas funções não-especializadas.

Empregos indiretos na região surgirão em decorrência do aumento da procura por serviços de alimentação, hospedagens e serviços gerais.

Pode-se afirmar, dessa forma, que os municípios, principalmente nas suas sedes urbanas, e os

aglomerados populacionais ou bairros passíveis de sofrer os efeitos positivos da alteração na

dinâmica da população decorrente da oferta de empregos, devido a sua proximidade com o

Gasoduto, são os seguintes: bairro rural do Cedro (está fora da AID, mas faz parte do seu

acesso pela SP-088) e bairro Espírito Santo, ambos em Paraibuna; bairros Nova Esperança,

Boa Esperança, Bom Retiro, Santa Lúcia, Portal do Céu e Capão Grosso, em São José dos

Campos; bairro Caçapava Velha, em Caçapava; as sedes municipais de Caraguatatuba e

Paraibuna.

Este impacto é previsto também no entorno das áreas que deverão ser selecionadas para a

instalação dos canteiros de obra.

A oferta de emprego e suas conseqüências são classificadas

como um impacto positivo, direto, regional, de curto prazo, temporário, irreversível, de

magnitude média, média importância e significante. 

Medidas Recomendadas

(8) Interferência no Cotidiano da População Local

A duração prevista para a construção do Gasoduto Caraguatatuba–Taubaté e suas obras

associadas é de 15 (quinze) meses, no total. Para a implantação do Gasoduto, deverá haver

várias frentes de obras, com alocação total de aproximadamente 2000 trabalhadores no

decorrer desses meses, podendo haver uma pequena variação, em função dos métodos e

rotinas de trabalho adotados por cada empreiteira que vier a ser contratada.

A definição de locais dos canteiros de obras em empreendimentos lineares depende de uma

série de fatores para escolha dos centros de apoio logístico e a forma estratégica de execução

da empreiteira. Devido às próprias características, já apresentadas, não deverá ocorrer

concentração de mão-de-obra representativa em um único local, devendo-se considerar, ainda,

que o avanço das frentes de trabalho é muito dinâmico, com deslocamento constante de

trabalhadores de um local para outro.

A escolha, portanto, das cidades que servirão de apoio logístico-operacional ao

empreendimento, com melhor infra-estrutura, é de fundamental importância, de forma a se

evitarem alterações na dinâmica diária da população e pressões sobre os serviços básicos a ela

oferecidos, tais como saneamento, saúde e educação, principalmente. 

Em princípio, estão previstas quatro frentes de obras, as quais demandarão, cada uma, a

instalação de 1 (um) canteiro fixo (principal) e 1 canteiro móvel (auxiliar) necessários para

dar apoio logístico ao processo de construção e montagem do Gasoduto Caraguatatuba–

Taubaté. Além desses, haverá necessidade de se instalarem outras pequenas áreas de

montagem para as obras de travessias e cruzamentos especiais.

Deve-se privilegiar a implantação dos canteiros principais e escritórios em municípios que

ofereçam infra-estrutura necessária, ou cuja localização seja estratégica em relação ao

empreendimento, tais como Caraguatatuba e São José dos Campos, segundo os estudos

socioeconômicos da Área de Influência Indireta (subseção 5.3 deste documento). Os

municípios que, a princípio, poderão abrigar os canteiros secundários são Paraibuna e

Taubaté.

A instalação dos canteiros nessas localidades é favorecida pela infra-estrutura urbana

(comunicações, água, esgoto, transporte, energia elétrica, coleta de lixo, etc.) e viária,

condições de hospedagem e alojamento, suprimento de insumos, materiais, equipamentos e

disponibilidade de mão-de-obra especializada.

No período das obras, além dos transtornos mais localizados, ligados à construção

propriamente dita (com ruído, poeira, aumento do tráfego de veículos), a chegada dos

trabalhadores de outras regiões deverá também afetar o dia-a-dia local, situação que será

intensificada caso esse contingente tenha hábitos sociais e culturais distintos dos vigentes

entre a população rural residente no local.

Em Caraguatatuba, que receberá a Unidade de Tratamento de Gás (UTGCA), poderá haver

maior atração de mão-de-obra externa, o que poderá causar um afluxo de trabalhadores que

podem não ser absorvidos integralmente, contribuindo para o adensamento populacional do

município.

Para evitar tais constrangimentos, de toda mão-de-obra necessária, apenas cerca de 1000

trabalhadores são previstos para serem mobilizados de outras regiões para a construção e

montagem do Gasoduto, estimando-se a contratação de cerca de 1000 residentes no 

local/região, evitando-se, consideravelmente, os possíveis impactos. O mesmo acontecerá

para a contratação da UTGCA.

Além disso, as ações necessárias para a implantação do Gasoduto, como utilização das vias

principais para transporte de material e pessoal, regularização de acessos e da faixa de

servidão, transporte de materiais e mão-de-obra, dentre outras, interferirão no cotidiano das

localidades mais próximas do Gasoduto e nas porções das propriedades rurais atravessadas

pela faixa de servidão, principalmente pela movimentação dos veículos em serviço, podendo

causar pequenas alterações, de diversas ordens. Uma avaliação mais detalhada sobre esse

problema é apresentada no Impacto 9 - Aumento de Tráfego de Veículos, Ruído e Poeiras. 

Este impacto é, em seu conjunto, negativo, direto, localizado, de curto prazo, temporário,

reversível, de médias magnitude e importância, sendo, portanto, significativo. 

Medidas Recomendadas

(9) Aumento do Tráfego de Veículos, dos Ruídos e de Poeiras 

Esse aumento do tráfego de veículos causará sobrecarga à estrutura viária existente, de

proporções maiores ou menores, em função do grau de utilização dessas rodovias atualmente.

Nas rodovias federais e estaduais, que registram hoje um volume de tráfego médio diário de

médio a grande, o crescimento será muito pouco sentido, ou mesmo passará despercebido,

enquanto, em pequenas rodovias municipais e vicinais, a sobrecarga será mais acentuada, em

função do baixo tráfego atual. Do mesmo modo, as áreas de periferia urbana sentirão menos

os impactos relacionados ao aumento de tráfego do que as áreas rurais, onde há menor

movimento nas estradas de acesso.

Já na fase dos serviços preliminares, as estradas vicinais, a grande maioria com revestimento

primário e utilizadas regularmente pela população residente nas comunidades rurais próximas

ao Gasoduto, deverão receber as melhorias necessárias, compatíveis para absorver o tráfego

previsto.

Este impacto deverá ser mais sentido nas estradas que servirão de acesso às obras,

principalmente as estradas vicinais, de revestimento primário, que dão acesso às fazendas,

sítios, bairros rurais e algumas sedes de município que ainda necessitam dessas vias para

conseguir alcançá-las.

Nas estradas próximas à faixa de servidão do Gasoduto, apesar do pequeno tráfego, o impacto

será bastante sensível durante as fases de construção e montagem. Isso poderá alterar o

cotidiano normal dos usuários locais por causa do porte dos veículos pesados que deverão por

lá circular, com diminuição da velocidade de operação nessas vias, por ser afetada a fluidez

do tráfego, devido à poeira em dias secos e aos atoleiros em dias chuvosos. Será um impacto,

no entanto, de pequena duração, até o transporte da tubulação, quando o tráfego voltará a ser

reduzido nessas vias.

As rodovias e pequenas estradas localizadas nas proximidades do Gasoduto sofrerão este

impacto; porém, essa situação será sentida, principalmente, nas rodovias que serão

atravessadas pela faixa do Gasoduto, dentre as quais, as rodovias estaduais: SP-088 (Km

17,70); SP-099, a Rodovia dos Tamoios (Km 50,00); Rodovia Carvalho Pinto (Km 59,88 e

km 79,08); Estrada do Cajuru (Km 66,28) e Rodovia SP-103 (Km 76,50).

No entanto, este impacto terá uma pequena duração, até a fase de montagem final, quando o

tráfego voltará a se normalizar.

As máquinas e equipamentos a serem empregados nessas obras serão suas principais fontes de

ruídos. Uma das características inerentes a construções desse porte é a alta proporção de ruído

impulsivo, proveniente das operações de escavações, terraplanagem e soldagem, dentre

outras.

Os equipamentos para as construções aqui tratadas, do Gasoduto e das estruturas de apoio

(canteiros, alojamentos, etc.), incluem um grande número de tipos de máquinas e dispositivos,

variando bastante em tamanho, potência e princípios de operação.

O impacto desses instrumentos tem maior significância nas frentes de obras localizadas junto

a aglomerados urbanos, principalmente nas vizinhanças das cidades, fazendas, sítios e bairros

rurais. Os que estiverem próximos a essas intervenções e às áreas dos canteiros de obras

poderão sentir mais os efeitos desse impacto. As localidades mais próximas são: bairro do

Lajeado (Km 26,12), bairro do Varjão (Km 27,63); bairro Espírito Santo (Km 28,84); bairro

do Salto (Km 40,78) e bairro Damião (Km 43,48), no município de Paraibuna; Fazenda Brasil

(Km 49,86) e bairro Capivari (Km 51,69), no município de Jambeiro; bairros Santa Cecília,

Campos de São José, Nova Esperança, Boa Esperança, Bom Retiro, Santa Lúcia, Portal do

Céu e Capão Grosso, em São José dos Campos (Km 63,24 a Km 71,67); bairro Santo Antônio

do Iguamerim (Km 74,96), bairro Tijuco Preto (Km 77,79) e bairro Caçapava Velha (Km

87,24), em Caçapava, e bairro Barreiro (Km 92,38), em Taubaté, onde esse impacto será

sentido tanto pelo pessoal envolvido na obra, quanto pelos que ali habitam, trabalham ou

circulam. Já nas frentes de obras mais isoladas, o mesmo impacto atingirá apenas o pessoal

envolvido nelas, ou residentes nas pequenas vilas mais próximas ao traçado. 

Podendo classificá-lo como negativo, direto, local, de curto prazo,

temporário, reversível, de magnitude média e média importância, sendo, portanto,

significante. 

Medidas Recomendadas

continuação

(10) Pressão sobre a Infra-Estrutura de Serviços Essenciais

As obras para instalação de empreendimentos de grande porte, freqüentemente, fazem-se acompanhar do aumento da demanda por bens e serviços urbanos básicos, sobretudo os equipamentos coletivos.

Esse aumento ocorrerá em virtude do incremento da população de trabalhadores, o que dinamizará o Setor Terciário na Área de Influência Indireta do empreendimento. Dentre os serviços mais pressionados, destacam-se os de hospedagem, alimentação e saúde.

Estima-se que os trabalhadores envolvidos nas diversas etapas da implantação poderão,

eventualmente, sofrer acidentes, inerentes a tais obras. Há também, sempre, a possibilidade da

ocorrência de problemas com animais peçonhentos, tudo isso gerando pressões sobre o

sistema de saúde nas localidades próximas à obra. Além disso, a possibilidade de contratação

de mão-de-obra de outras regiões pode contribuir significativamente para que haja pressões

dessa parcela de pessoas contratadas na região sobre esses equipamentos de saúde. 

Com o afluxo de trabalhadores, atraídos pela oferta de trabalho na região, poderá haver

também, pressão na infra-estrutura habitacional, que deverá, no entanto, ser minimizada com

as ações de comunicação e divulgação da quantidade e perfil da mão-de-obra a ser contratada.

Este impacto é considerado negativo, direto, local, de curto prazo, temporário, reversível, de

magnitude média e média importância; é, portanto, significante.

Medidas Recomendadas

(11) Interferência sobre o Patrimônio Arqueológico Regional

O diagnóstico do patrimônio arqueológico e histórico-cultural indicou que a área de inserção

do empreendimento (AII e AID) apresenta potencial para a ocorrência de remanescentes

arqueológicos do período pré-colonial e histórico, caso de sítios arqueológicos e

remanescentes arquitetônicos com relevância histórica. 

Trata-se de impacto possível de ser prevenido, através de um programa de prospecções

arqueológicas intensivas que permita identificar os bens em risco, antes que as obras os

atinjam e mitigá-lo por meio de um programa de salvamento arqueológico que produza

conhecimentos sobre os bens e promova a incorporação dos conhecimentos adquiridos à

Memória Nacional.

O levantamento sistemático e exaustivo do patrimônio arqueológico e histórico, ao longo da

faixa de domínio do Gasoduto e de seu entorno imediato, tem como objetivo evitar que o

patrimônio arqueológico e histórico eventualmente existente ao longo da faixa de domínio

seja posto em risco com a instalação do Gasoduto projetado.

Caso haja algum bem em risco, será necessário proceder-se ao seu resgate, medida essa de

médio grau de resolução, porque não evita a perda física do bem; apenas sua compensação

por produção de conhecimento. Essa medida só será adotada se for comprovada a existência

de bens arqueológicos em risco. 

Tal impacto pode ser caracterizado como negativo, direto, local, de curto prazo, permanente,

irreversível, de grande magnitude e de média importância, uma vez que incide sobre bens da

União (Constituição Federal, art. 20, X) e patrimônio cultural da Nação (Constituição Federal,

art . 216, V), consistindo, desta forma, em um impacto muito significativo. 

Medidas Recomendadas

(12) Interferência com o Uso e Ocupação das Terras

Especificamente, durante as obras, na faixa de 20m, todos os usos sofrerão restrição. Os

estudos ambientais realizados na região mostram que na AID existem áreas de pastagem

(70,15%), floresta (15,99%), silvicultura (11,64%) e pequenas áreas de culturas de

subsistência (feijão, mandioca, milho, hortigranjeiros), distribuídas nas propriedades rurais.

É importante destacar que a experiência em projetos similares revelou que nem sempre essas

interferências são negativas. Enquanto alguns proprietários descapitalizados, por exemplo,

com as indenizações recebidas puderam fazer novos investimentos em suas propriedades,

outros se sentiram prejudicados pela restrição ao uso das terras, muito embora, após a

implantação do Gasoduto, as pastagens e culturas de pequeno porte possam voltar a ser

cultivadas normalmente. Desse modo, o caráter positivo deste impacto dependerá diretamente

dos procedimentos a serem adotados quando do processo indenizatório.

Dentre os usos não permitidos na faixa de servidão, podem ser destacados: o plantio de

culturas permanentes ou árvores que tenham raízes profundas (acima de 0,80m), construções,

utilização de arados ou quaisquer implementos agrícolas de grande porte, que tenham alcance

superior a 0,40m de profundidade, a partir do chão, e promoção de queimadas e/ou fogueiras.

Foi possível verificar, com base nos serviços de campo e do mapeamento ilustrado no Mapa

12 – Vegetação, Uso e Ocupação das Terras, que, ao longo da faixa de 94,1km de extensão

por 20m de largura, com exceção do trecho em túnel, cerca de 177,7ha deverão ser utilizados

para a implantação do Gasoduto sendo que 80,9% (143,7ha) das áreas poderão retomar seus

usos atuais, ou seja, as áreas de pastagens e as demais áreas com culturas de pequeno porte e

corpos d’água, dentre outros usos, com 1,2% (2,1ha), não serão afetadas durante a operação

do Gasoduto. Já as áreas com vegetação nativa, silvicultura e área urbana, após o

estabelecimento da faixa de servidão, não poderão retomar seu uso atual, em função da

incompatibilidade com a segurança das instalações do Gasoduto.

Ressalta-se que, nas comunidades locais, proprietários e habitantes, bem como autoridades municipais da região, serão informados, com antecedência, sobre a finalidade do Gasoduto, suas características, o itinerário das obras, seu cronograma e as interferências com o uso do solo, plantios e edificações.

Deverão, também, ser instruídos quanto à segurança do Gasoduto e aos seus possíveis perigos, quando em operação, e também quanto aos procedimentos a serem adotados em casos de emergência.

Dependendo do uso da faixa, as restrições existentes poderão transformar este impacto em

temporário ou permanente e reversível ou irreversível.

Além disso, este impacto é negativo, direto, local, de curto prazo, de médias magnitude e

importância; é, portanto, significativo. 

Medidas Recomendadas

(13) Aumento da Disponibilidade de Gás Natural 

A implantação do Gasoduto Caraguatatuba–Taubaté disponibilizará cerca de 20 milhões de

m3/dia de gás natural. Essa contribuição visa minimizar os riscos de falta de energia elétrica e

o aumento para 12%, até 2010, da participação do gás natural na Matriz Energética Brasileira.

Essa meta foi estabelecida no Programa Prioritário de Termeletricidade – PPT, que previu a

instalação de 54 usinas termelétricas a gás natural, no Brasil, que necessitariam de um

suprimento de cerca de 40 milhões de m3/dia. 

Este impacto, portanto, é considerado positivo, direto, estratégico, de longo prazo,

permanente, irreversível, de magnitude média, importância grande e, portanto, muito

significativo. 

Medidas Recomendadas