21/4/2007 8:00
Juan Garcia cobra explicação dos impactos do Projeto Mexilhão em São Sebastião

São Sebastião
Técnicos da Petrobras e da Habtec (empresa contratada pela estatal para a realização do estudo de impacto ambiental decorrente da implantação do Projeto Mexilhão) deverão se reunir, nos próximos dias, com os técnicos da Secretaria do Meio Ambiente com o objetivo que avaliar as possíveis interferências que a construção da Base de Gás de Caraguatatuba vai trazer a São Sebastião.
Da esquerda para direita, vereador Wagner Teixeira, prefeito Juan Garcia e o secretário Téo Balieiro
O encontro foi solicitado pelo prefeito Juan Garcia, na noite da última quinta-feira, durante exposição sobre o funcionamento do empreendimento da estatal para autoridades municipais. Acompanharam o prefeito no evento vários secretários municipais, vereadores e o presidente da Câmara, Marcos Leopoldino.

O prefeito Juan Garcia cobrou da estatal a implantação de um curso profissionalizante na cidade na área técnica de petróleo e gás. Ele recordou que já fez ingerências nesse sentido junto à Transpetro há pelo menos dois anos, e que a estatal teria se comprometido a implantar os cursos em parceria com a Prefeitura e o Senai. Para tanto, garantiu o prefeito, o município já teria reservado até o espaço físico para o projeto profissionalizante.

Juan Garcia demonstrou preocupação também com outros impactos do Projeto Mexilhão em São Sebastião. São interferências que vão desde a utilização do Porto na movimentação de navios, uma vez que na cidade está o porto mais próximo, e até mesmo a possibilidade de um crescimento desordenado caso a empresa contrate apenas profissionais de fora da região.

A questão de utilização de mão-de-obra local no empreendimento também foi levantada pela vereadora Solange Ramos. Ela queixou-se que, em atuais obras da Petrobras na Costa Sul do Município, de manutenção dos oleodutos estão sendo utilizados muitos trabalhadores de fora da cidade.

O secretário do Meio Ambiente de São Sebastião, Teo Balieiro, ressaltou a preocupação do município com a Área de Proteção Ambiental (APA) Alcatrazes, que em um primeiro momento não havia sido contemplada com o Estudo de Impacto Ambiental. Ele apontou ainda que o tráfego aquaviário na região também não pode ser prejudicado.

Para os representantes do município, todas as questões técnicas devem ser avaliadas e as sugestões analisadas para que os riscos ambientais sejam evitados.

A reunião de quinta-feira foi a segunda de um total de sete exposições públicas que serão promovidas com a sociedade em São Sebastião e Ilhabela. Neste sábado os representantes da Petrobras se reúnem com pescadores do município para avaliar o impacto do empreendimento para os trabalhadores.

Projeto Mexilhão

Segundo explanou o gerente de Operação da Produção e Manutenção de Mexilhão, engenheiro Maurício Barbieri de Moraes, a Plataforma de Mexilhão vai operar em uma lâmina d'água (distância entre a superfície e o fundo do oceano) de 170 metros de profundidade. Já o gasoduto de ligação com o continente, de aproximadamente 143 Km de extensão entre a Plataforma e a UTG (Unidade de Tratamento de Gás) Monteiro Lobato, em Caraguatatuba, será de 34 polegadas.

"Na UTG Monteiro Lobato haverá a separação do gás, do condensado e a produção do gás liquefeito de petróleo, o GLP. O gás natural será transportado por gasoduto até uma estação em Taubaté, que se interliga com outro, o gasoduto Campinas/Rio", explica.

"O condensado de gás natural, conhecido como gasolina natural será enviado até o Tebar, em São Sebastião. Já o GLP será distribuído para o mercado consumidor".Ainda em sua palestra Barbieri disse que a produção estimada do poço na Plataforma de Mexilhão, já em 2009, ficará entre 8 e 9 milhões de metros cúbicos/dia, mas com possibilidade de chegar antes mesmo de 2010 a produzir 15 milhões de metros cúbicos/dia.

Na segunda parte do encontro, a bióloga Viviane Severiano Santos, gerente de processos Ambiente Marinho da Habtec, apresentou o estudo de impacto ambiental da obra em seu trecho marítimo, ou seja, a primeira parte do empreendimento. Para isso, foram necessários três tipos de licenças: a prévia, a de instalação e a de operação.

Após a explanação dos técnicos foi aberto espaço para a manifestação da comunidade com o objetivo de dirimir dúvidas. Possíveis riscos ambientais, contratação de mão-de-obra profissionalizante de outras cidades e falta de compromisso da empresa para com os municípios foram alguns dos temas abordados pelos presentes.

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